21 de setembro de 2014

SUSPEITOS DO ASSASSINATO DE JOSEANE JÁ ESTÃO PRESOS


 


Osimar, Rayfran, Luís Carlos e Raimundo Fernando, o Gordon, são acusados de três mortes e uma tentativa de homicídio
POLÍCIA CIVIL PRENDE RAYFRAN SALES E TRÊS COMPARSAS ACUSADOS DE MORTES LIGADAS AO TRÁFICO DE DROGAS


arma encontrada com raimundo


Da Redação
Agência Pará de Notícias
Atualizado em 20/09/2014 15:16:00
A Polícia Civil apresentou, neste sábado, 20, quatro presos por envolvimento em três mortes e uma tentativa de homicídio, ocorridas no último dia 5, no interior do Estado, como resultado das investigações feitas pela equipe de policiais civis da Divisão de Homicídios. Um dos presos é Rayfran das Neves Sales, 38 anos, condenado pela morte da missionária norte-americana Dorothy Stang, crime de repercussão internacional ocorrido em 2005, em Anapu, sudoeste do Pará. Ele estava, desde junho do ano passado, em prisão domiciliar determinada pela Justiça do Pará.
Equipe da Polícia Civil que levou os bandidos a prisão

Os demais presos são Raimundo Fernando Ferreira Monteiro, conhecido como “Gordo” ou “Ritchie”; Osimar Lobato Rodrigues, 30 anos, e Luís Carlos do Carmo Lopes, 27. As vítimas são o casal Evalso Fagundes da Silva e Luana de Cássia Castro e Silva e os amigos Leandro Kestring de Vargas e Joseane Noronha Santos. Dos quatro, apenas Luana Silva sobreviveu.
Evalso foi morto com um tiro na cabeça em um ramal, à altura do km-24 da Alça Viária, em Acará. Leandro e Joseane também foram mortos a tiros, na zona rural de Tomé-Açu. Os crimes estão ligados ao tráfico internacional de drogas.
Inicialmente o inquérito, estava sob presidência do DPC Marco A. Oliveira

Os fatos foram divulgados em entrevista coletiva a jornalistas, na sede da Divisão de Homicídios, em Belém. Participaram os delegados Claudio Galeno, diretor da Divisão de Homicídios; Ione Coelho, diretora de Polícia Especializada; além de Marco Antonio Oliveira; MacDowell Fortes; Maria Lúcia Santos e Eduardo Rollo, que participaram das investigações.
Segundo o delegado Claudio Galeno, inicialmente foi instaurado inquérito para apurar a morte de Evalso e a tentativa de homicídio de Luana, sob presidência do delegado Marco Antônio Oliveira, já que o caso foi o primeiro a chegar ao conhecimento da equipe de policiais civis. Depois que foi estabelecida ligação entre os crimes, os inquéritos foram unificados.
Durante as investigações, o delegado tomou depoimento de Luana de Cássia, cujas informações foram fundamentais para elucidação dos crimes. A vítima recebeu dois tiros, um nas costas e outro de raspão no rosto e permanece internada no Hospital Metropolitano, em Ananindeua.
A delegada Maria Lucia, titular da Delegacia de Pessoas Desaparecidas

No dia 6, vieram à tona notícias sobre o desaparecimento dos jovens Leandro e Joseane, que teriam vindo do oeste do Pará com destino a Belém. Quatro dias após o fato, o pai de Leandro Vargas foi até a Delegacia de Pessoas Desaparecidas, situada na Divisão de Homicídios, para registrar boletim de ocorrência sobre o sumiço do filho.
O pai de Leandro foi ouvido pela delegada Maria Lúcia, titular da Delegacia, a quem informou ter recebido uma mensagem enviada pelo filho via aplicativo de celulares WhatsApp, no dia 5, por volta de 23 horas. Leandro escreveu a seguinte mensagem: “Pai, se acontecer alguma coisa comigo, estou em companhia de Rayfran das Neves Sales”, citando o nome do pistoleiro que matou a missionária Dorothy Stang, em Anapu.
A partir dessa informação, a equipe policial começou a fazer ligações entre o sumiço dos jovens e o ataque a tiros ao casal Evalso e Luana. Em depoimento, o pai de Leandro confirmou que o filho conhecia Evalso. Essas informações foram os pontos iniciais para fazer a conexão entre os dois casos. “As investigações mostraram que os crimes tinham relação com o tráfico internacional de cocaína”, destacou Galeno.
Ele explica que Evalso e Luana eram intermediários no tráfico de uma carga de 50 quilos de cocaína que seria levada, inicialmente, da Bolívia até o Estado de Mato Grosso. Depois, a droga seria trazida para Belém. No último dia 5, o casal se encontrou com Rayfran, Luís Carlos e Raimundo Fernando, em Belém. Todos juntos seguiram em um carro alugado com destino à cidade de Tailândia, por volta de 11 horas, para se encontrarem com Leandro Kestring para receber a droga. Para fazer a viagem, Luís Carlos chamou o comparsa Osimar Rodrigues, com objetivo de alugar um carro.
As investigações indicaram que Leandro foi contratado como “mula” por Rayfran e outros traficantes de drogas de Belém, para receber no Estado de Mato Grosso o carregamento com a droga e levá-lo até a Vila Palmares, em Tailândia, onde a droga seria entregue ao casal Evalso e Luana, e aos demais. Raimundo Fernando, o “Gordo”, foi contratado como segurança dos traficantes. Na ocasião, Leandro convidou a amiga Josiane para acompanhá-lo durante a viagem, feita no próprio carro dele.
A caminho de Tailândia, por volta de 19 horas, na estrada da Alça Viária, Luís Carlos e os comparsas decidiram matar o casal intermediário. Evalso recebeu um tiro na cabeça dado por Luís Carlos. Já Luana foi atingida por dois disparos, mas não morreu porque se fingiu de morta. Depois, os criminosos resolveram abandonar o carro em um ramal perto da Alça Viária, pois o veículo ficou atolado no local. Após a fuga dos criminosos, Luana conseguiu pedir socorro na estrada e foi levada até o hospital.
Rayfran, Raimundo Fernando e Luís Carlos seguiram até Tailândia, onde se encontraram com Leandro e Josiane. Foi nesse momento que Leandro enviou a mensagem ao pai, pois suspeitava que também poderia ser morto. As vítimas foram levadas de carro até um ramal, na zona rural de Tomé-Açu, onde foram alvejados a tiros e depois tiveram os corpos abandonados no local. O carro de Leandro foi queimado. O corpo de Leandro, que era conhecido como Lourinho, foi encontrado no domingo, dia 7, e o de Josiane no dia seguinte. Ambos estavam perto de um igarapé, na zona rural em Tomé-Açu.
No dia seguinte, Luís Carlos procurou Osimar para lhe pedir que fizesse uma ocorrência falsa de assalto, alegando que o carro alugado teria sido roubado, o que foi feito por Osimar. Na segunda-feira, Luís Carlos e Rayfran pagaram os R$ 260 acertados inicialmente com Osimar e mais R$ 1,5 mil para que ficasse em silêncio, com a promessa de que lhe dariam mais dinheiro.
Durante as investigações, Osimar foi chamado para prestar depoimento, no qual reafirmou que o carro alugado, encontrado no ramal da Alça Viária, teria sido roubado no bairro da Pedreira, em Belém. “Desde então, ele passou a figurar como suspeito de envolvimento no crime”, detalhou Claudio Galeno.
No curso das investigações, os delegados Marco Antonio Oliveira e MacDowell Fortes, da Divisão de Homicídios, em atuação conjunta com a Vara de Combate ao Crime Organizado do Tribunal de Justiça do Pará e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado, conseguiu obter os mandados de prisão temporária de 30 dias dos acusados.
As prisões
Os mandados judiciais foram cumpridos nesta sexta-feira, dia 19. Rayfran foi preso no momento em que chegava em sua casa, no bairro da Cremação, por volta de 6h da manhã.
Raimundo Fernando, o “Gordo”, foi preso no bairro do Guamá, em Belém, onde reside, por volta de 11 horas. Luís Carlos foi preso no bairro do 40 Horas, em Ananindeua, por volta do meio-dia. Com ele, uma pistola calibre 380 foi apreendida e por isso ele foi autuado por porte ilegal de arma de fogo. A arma foi encaminhada para perícia de comparação balística no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, sob suspeita de ser a mesma usada nos crimes.
Osimar, o outro envolvido no crime, já estava na cadeia desde o dia 13 deste mês, quando foi preso em uma casa no município de Igarapé-Miri, junto com outros comparsas, armados e com drogas. Ele estava recolhido no centro de Triagem da Cidade Nova. Após passarem por perícia de corpo de delito, os presos foram levados a unidades do Sistema Penitenciário para ficarem recolhidos à disposição da Justiça. As investigações prosseguem para apurar o envolvimento de outras pessoas nos crimes.
Fonte : Walrimar Santos
Polícia Civil

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