13 de outubro de 2017

Ten. Cel. Maués: “Polícia defende a sociedade e o cidadão de bem”




Comandante do 3º BPM diz que atualmente Polícia trabalha enxugando gelo

Realizar o trabalho de combate ao crime tem se tornado cada vez mais difícil para as forças de segurança. São várias as circunstâncias que estão colocando em xeque a atuação dos policiais, e deixando a população à mercê da criminalidade.

O exponencial crescimento do envolvimento de adolescentes na prática de crimes como roubos, furtos e tráfico de drogas, precisa urgentemente torna-se ponto de agenda das autoridades de nosso Município. Antes que o caos se instale de vez.

Para o comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar (BPM), Tenente Coronel Maués, a sensação que se tem, é que a Polícia realiza o trabalho de enxugar gelo. “O número de vagabundos e assaltantes de fato está demais. Acredito que seja um ciclo vicioso, a Polícia prende, e esse indivíduo por circunstâncias alheias à vontade da Polícia, retorna à liberdade. Então, como exemplo, ainda nesta semana, nós prendemos cinco pessoas, inclusive três armas foram apreendidas. E um desses jovens, no outro dia, eu vim aqui na 16ª Seccional de Polícia Civil, 10 horas da manhã ele já estava no lado de fora do prédio. É esse ciclo vicioso, nós temos de chegar a um momento de discussão. O que está errado no Brasil? Na verdade, a Polícia está enxugando gelo. A gente trabalha, trabalha, incansavelmente, aí os policiais arriscam a própria vida no combate ao crime, a imprensa é testemunha. E por circunstância que por muitas vezes a gente não sabe, esse indivíduo está no outro dia na rua de novo. Entendo que essa benevolência da lei, faz com que esses indivíduos fiquem cada dia mais ousados. Eles entendem que a lei está do lado deles. Acredito que a sociedade de bem, tem urgentemente de debater, cobrar de nossos legisladores essa situação”, diz o comandante.

Por ser a principal interessada, a sociedade civil organizada tem de buscar debater, discutir e mobilizar a quem de direito, para que essa realidade mude de fato. Se nada for feito, a bola de neve somente tende a crescer.

“Infelizmente, aqueles que deveriam se atentar a essa situação, estão alheios à questão, pois não estão sofrendo o que a sociedade vive. O comerciante que no seu dia a dia trabalha no seu estabelecimento, o estudante que está indo à escola e está sendo assaltado; a família que está na frente da sua residência conversando e é assaltada, e por vezes tem a casa invadida, e feita refém. Então, eles não vivem a realidade do Brasil, é por isso que fazem leis que são inviáveis para o nosso dia a dia. A imprensa que cobre o trabalho policial sabe que a guerra está aí. Será que vai ter de chegar como a situação da cidade do Rio de Janeiro, para poder tomar uma providência?”, expõe Maués.

Segundo o comandante do 3º BPM, a realidade em Santarém não é a mesma de décadas atrás. As forças de segurança se esforçam para atender à demanda, porém, parece que a criminalidade insiste em crescer, justamente pela facilidade que os indivíduos presos têm de voltar para a rua.

“A cidade mudou. Há 20 anos, quando nós chegamos aqui como tenente, era uma coisa, e hoje em dia é outra realidade. As leis deram uma afrouxada, vamos dizer assim, para o lado dos criminosos, e eu entendo que isso é o que faz com que essas pessoas fiquem cada dia mais ousadas. Nossos guerreiros das forças de segurança, que combatem dia e noite a criminalidade, trabalham na defesa da sociedade e do cidadão de bem”, declarou.

SENSAÇÃO DE IMPUNIDADE: Informações que pessoas presas em flagrante por tráfico de drogas, foram colocadas em liberdade, depois da audiência de custódia. Para especialistas, apesar de a normativa constar na legislação vigente, os presos por tráfico de drogas, que é o tipo de crime que fomenta outros crimes, especialmente homicídios e roubos, têm de ter sua situação analisada com rigor. “É necessário entender, que muitos se utilizam de estratégias diversas para se manterem no crime. Inclusive recrutando menores para realizarem o transporte e venda de entorpecente. Andam com quantidade mínima de drogas, para que caso, sejam presos, aleguem que são viciados. É preciso obter do trabalho policial, o histórico do indivíduo, a relação de parentesco ou não com outros criminosos que já foram presos pelo mesmo crime. Assim por diante. Até mesmo lidando com um viciado, o Estado é omisso, pois se ele é tido como tal, deveria sair da audiência de custódia, com a obrigação do poder público de interná-lo em uma clínica de recuperação de dependentes”, afirmam.

GERAÇÃO PERDIDA: O aumento exponencial destes casos, também tem preocupado o experiente repórter policial, Wilares Sousa, o popular Coruja, que com 37 anos de experiência na cobertura das notícias policiais, tem percebido o caminho devastador que nossa juventude está tomando.

“A juventude está muito enveredada no mundo criminoso. A gente verifica que o furto, roubo, tráfico de substância entorpecente, a prostituição, têm atingido fortemente os menores. O que mais verificamos no município de Santarém, são menores envolvidos no tráfico de drogas. Nós percebemos que é uma preocupação muito grande dos órgãos de segurança pública, o fato do aumento do envolvimento dos jovens no crime. Para mim, que acompanho há muito anos as notícias policiais, tudo é uma questão de família. Você pai, você mãe, vocês têm de monitorar muito mais o seu filho, para que ele não entre para o mundo tortuoso. Por quê? Porque se tiver o furto, é porque tem o comprador. Se tem o assaltante, é porque tem o receptador. Se tem o tráfico de drogas, é porque tem o traficante que disponibiliza a droga. Então, tudo isso é questão de família. Você tem de reunir e conversar mais com seus filhos”, afirma Coruja.

Wilares Sousa faz o alerta principalmente para os pais. “Os pais não podem deixar os filhos caírem no mundo das drogas, caso contrário, será o fim. Porque o traficante quer usar o seu filho para ser um escudo para ele. Depois que começa a consumir, ele também quer vender, em seguida, ele quer conseguir ser um alto traficante, e acaba morrendo”, orienta.

Para o comunicador, o crescimento de crimes praticados por menores tem como base dois aspectos. Primeiro, a falta de políticas públicas que deem possibilidade do jovem não se aproximar do crime. Segundo, a família, que tem que saber educar, orientar e dialogar.

O repórter policial é enfático ao dizer que o caso é muito sério, que precisa de uma solução imediata, caso contrário, teremos uma geração perdida para o mundo do crime.

“O menor de apenas 14, 15 anos de idade, enveredando-se no mundo criminoso. Muitos menores, envolvidos em tráfico de substância entorpecente, menores envolvidos diretamente com o roubo em Santarém. Isso é resultado da falta de políticas públicas, é falta de mais apoio do governo estadual, para que melhore a segurança pública de nosso Município, e também o Judiciário da Infância e Juventude, o Conselho Tutelar tem de ser mais ágil nesta situação da nossa juventude estar se enveredando no mundo criminoso. É muito lamentável, é muito triste, vermos a maior parte de nossos jovens envolvidos em delitos aqui em Santarém”, afirma Coruja.

Por: Edmundo Baía Júnior

Fonte: RG 15/O Impacto

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