19 de janeiro de 2018

Tenente Coronel Cíntia Raquel comandará 35º BPM em Santarém

 

Nossa reportagem conversou com a Tenente Coronel da Polícia Militar, Cíntia Raquel, que falou sobre sua vida militar e sobre o seu futuro, administrando o 35º Batalhão da Polícia Militar que foi criado recentemente em Santarém e que está instalado no imóvel onde funciona a 5ª URE, no bairro do Livramento. Tenente Coronel Cíntia Raquel foi indicada e nomeada comandante de um Batalhão que está iniciando as atividades.

Ao ser questionada para falar um pouco de sua vida, pois trata-se da primeira mulher a assumir o comando de um Batalhão, a Tenente Coronel Cíntia Raquel foi enfática: “O recebimento, primeiramente foi espantoso, mas fiquei muito feliz e agradecida, pois isso mostra o reflexo do trabalho que nós desenvolvemos. Vou fazer 24 anos de instituição, considero isso como uma vitória, pelos nossos serviços e trabalhos que desenvolvemos durante toda nossa trajetória e ainda mais quando se trata de Santarém, que foi minha primeira cidade que trabalhei. Vim para cá aspirante em 1997, todo meu período de Tenente foi aqui na cidade. Estou muito feliz de retornar, ainda mais com essa situação de comandar uma Unidade nova em Santarém. Eu já trabalhava em Monte Alegre como comandante do 18º BPM, quando recebi o convite”, declarou.

Esse batalhão é criado por conta dos inúmeros problemas que têm ocorrido, sendo que a questão da violência não é exclusiva de Santarém, é algo que ocorre no Brasil todo e nós até conversamos há poucos dias com o comandante do 3º BPM, onde falávamos da real necessidade de realmente dividir para dar uma eficácia maior para as atividades. “O prédio já nos foi repassado, nós estamos verificando a questão das instalações e acomodações para efetivamente trabalharmos, já ocupando o prédio. Nosso trabalho já começa na semana, pois já foram transferidos os praças, que vão trabalhar no nosso Batalhão e nós vamos operacionalizar. Santarém cresceu e se desenvolveu, então, essa divisão vem muito ajudar para atender melhor à demanda, dividir esses encargos. Com duas divisões tem como nos ajudar, tanto o coronel Maués como o coronel Tomaso, do CPR-1, justamente fazer essa transição sempre com essa linha de trabalho do CPR-1, que é se aproximar da comunidade, trabalharmos juntos, pois só assim conseguimos transpor os obstáculos que não são poucos. Nós sabemos que existem várias dificuldades estruturais no efetivo, mas com boa vontade e bom entrosamento a gente consegue sobrepor e fazer um trabalho eficiente”, informou a oficial militar.

Ao ser questionada sobre o número de militares que estarão sob seu comando no novo Batalhão e em termos de estrutura, por exemplo, de veículos, se chegarão novos ou vão dividir os que já estão aqui, Tenente Coronel Cíntia Raquel informou: “Bem, o efetivo será de 240 homens, todos oriundos do 3º Batalhão e os veículos operacionais também ainda são oriundos do 3º Batalhão que são atuantes na área. Esse ano, nós possivelmente teremos uma troca da frota, então, haverá outras demandas, onde podemos já fazer esse planejamento com as unidades separadas para conseguirmos mais VTR’s para atuar ainda mais nas áreas urbanas e rurais”.

Nós temos observado em nível nacional vários estados praticamente falidos, como o exemplo do Rio Grande do Norte na questão da Polícia Militar, sempre cobrando que falta mais estrutura, falta pagar melhor o militar, como a senhora encara essa situação comparando com o estado do Pará? perguntamos: “No estado do Pará não tivemos essa situação de atrasos nos vencimentos, é claro que nós estamos com a situação salarial congelada, não tivemos nenhum reajuste salarial, estamos com pagamentos em dia. Isso nos mantém motivados para trabalharmos com afinco. Sabemos das dificuldades do Estado, é compreensível, mas ele honra seus compromissos com relação aos servidores, nós tivemos um reajuste da jornada extraordinária que dobrou, que se trata do pagamento do policial que trabalha na sua folga, por isso ele é remunerado. O Governo sabe da nossa necessidade, mas a prioridade é honrar os compromissos, ele tem preocupação em não efetivar o que ele não possa honrar, o Governo tem auxiliado até o presente momento na parte de equipamentos e viaturas. Como já mencionei, esse ano haverá uma troca de frota, então, a parte de segurança pública é vista como prioridade” disse a Tenente Coronel Cíntia Raquel.

Pedimos para a Tenente Coronel Cíntia Raquel que fizesse uma avaliação sobre as principais diferenças entre os níveis de criminalidade de outros municípios e Santarém, respondeu: “Existe sim, eu vim recentemente de Monte Alegre e não sabia que em Santarém, em todo CPR-1 possui uma demanda mais alta que as outras unidades, mas isso é atribuído a vários fatores, à população, uma área que é um polo, tem as situações que chegam com o crescimento e as mazelas, infelizmente, mas buscamos o controle através das operações, tentamos controlar essas situações dos meliantes diante da sociedade, mas sabemos que não tem como comparar uma da outra, pois cada um tem a sua peculiaridade e Santarém é um polo que diversos segmentos como saúde, educação superior, todos divergem aqui para Santarém. Então, há esse crescimento e com ele vem essas situações, mas a Polícia Militar junto com os demais órgãos do Município, Estado e Federal, que de fato são unidos aqui em Santarém. Nesse sentido, buscam priorizar a população e assim tentam controlar essa demanda”.

Sabemos que com esse constante crescimento da criminalidade existe sempre a necessidade de aumentar o efetivo, perguntamos à Tenente Coronel se existe previsão de concursos: “Existe um concurso CFP – Curso de Formação de Praças, que está em andamento, com previsão de formatura para junho deste ano e todas as unidades vão apresentar essa necessidade. No 35º Batalhão, apesar dos 240 homens, já temos nesse meio, policiais que já estão prestes a ir para reserva, policiais que possuem problemas de saúde, então, nós vamos justamente apresentar nossa demanda, ver nossa necessidade junto ao Comando Regional para viabilizar junto ao Comando Geral com relação ao aumento do nosso efetivo para melhor atender”, informou.

Questionamos como tudo começou, o que a levou a abraçar essa carreira na Polícia Militar. Tenente Coronel Cíntia Raquel respondeu: “Bem, primeiro nunca imaginei um dia ser policial militar, nunca me vi, não era minha ideia, mas meu pai teve duas filhas e ele sempre gostou e achou muito bonito a parte militar, a apresentação, formalidade e, como ele não teve nenhum filho homem, surgiu o curso de formação de oficial e eu preenchia os requisitos, já havia completado os estudos, fiz e tive a felicidade de passar. A princípio foi aquele choque, saindo do mundo civil para o militar, mas aí dentro da Instituição comecei a me apaixonar pelo serviço, pelas pessoas que trabalham, pois trata-se de uma atividade (apesar de perigosa) extremamente gratificante, pois ajudamos muitas pessoas, não apenas prendemos. Então, nós vemos a população nos procurando e reconhecendo que somos um braço, uma ajuda para qualquer ocasião. Quem trabalha no interior sabe que nós não somos apenas a segurança pública, sabe que estamos sempre prontos para dar um conselho aos pais e filhos, intermediamos brigas familiares, agimos em diversas situações, somos psicólogos, assistente social, padre, ou seja, fazemos um pouquinho de cada coisa, pois em muitas cidades não existem todos os órgãos, mas tem um policial militar ali. Então, ele vê a Polícia Militar como aquela autoridade que pode ajudar, que está ali para dar um conselho, um apoio e uma direção do que se deve fazer. Resumindo, realizei o sonho do meu pai”, disse a militar.

Por: Allan Patrick

Fonte: RG 15/O Impacto

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